Junho/1998

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Monika Pecegueiro:
o prazer de fazer legendas para filmes


Um trabalho adrenalizado, quase sempre lutando contra o tempo. Esta é a opinião de Monika Pecegueiro do Amaral, responsável pela legendagem de filmes da Warner, Lumière, Columbia e Buena Vista, entre outras distribuidoras. Quase sempre ela se vê envolvida com várias traduções ao mesmo tempo, e os prazos para entrega dos trabalhos costumam ser muito apertados.

O que não a incomoda nem um pouco. "Amo meu trabalho", afirma. Além de enfrentar um universo diferente a cada filme, a legendagem caminha ao lado de uma de maiores paixões de Monika: a literatura. "A limitação do espaço da legenda no cinema a aproxima da poesia. É preciso encontrar a essência da palavra", diz ela.

"Chego a trabalhar treze horas seguidas; quanto maior o tempo de dedicação, maior a concisão", conta ela. Para Monika, são três os diferenciais da tradução para cinema: a síntese exigida para a legenda de filmes, a questão de a linguagem oral estar sempre em transformação, sendo constantemente presenteada com gírias novas, e o fato de o espectador ter acesso ao diálogo original e a todo um código extra-lingüístico. Para resolver eventuais problemas de linguagem, a tradutora se cerca de bons colaboradores. "Em ‘Maré Vermelha’, que tinha uma linguagem específica da Marinha, contei com a assessoria do Comandante Cláudio Azevedo", exemplifica.

Trabalhando há sete anos com legendagem, Monika é uma das poucas tradutoras no Brasil que tem seu nome figurando nos créditos. "Normalmente, as legendas não são assinadas", informa Monika. Segundo ela, isto se deve a dois fatores: distribuidoras e laboratórios que não dão o crédito e tradutores não profissionais, inseguros quanto ao seu trabalho. "A tradução não é um bico, é uma profissão que exige investimento em pesquisa e educação, além de profundo domínio da língua. O tradutor que fez especialização, é membro do sindicato e tem consciência do seu trabalho, exige o crédito", acrescenta Monika, que também é professora da pós-graduação para tradutores na PUC.

Entre os filmes traduzidos que Monika considera mais importantes na sua carreira, estão "Hamlet", de Kenneth Brannagh, "Pulp Fiction", "Evita", "Todos dizem eu te amo" e "Procura-se Amy". Recentemente, fez a legendagem dos filmes "O Ciclone", "Sete dias e sete noites", "Mulan", "Night Watch – o principal suspeito" e "Carne Trêmula", trabalhando em todos ao mesmo tempo.

 

Tradução apurada

Monika Pecegueiro formou-se na PUC, pelo Departamento de Letras, com especialização em tradução. Trabalhou durante algum tempo fazendo versões para o inglês de novelas que iriam ser dubladas.

Querendo aperfeiçoar o conhecimento da narrativa, e ao mesmo tempo buscando uma vivência maior com o idioma inglês, Monika passou quatro anos na Universidade Santa Bárbara, na Califórnia, fazendo pós-graduação em literatura luso-brasileira. Tinha 26 anos. Hoje, com 37, Monika – para quem o tradutor é como um escritor – avalia esta experiência como fundamental para sua carreira. "Lá, fundamentei meus conhecimentos de literatura e ficção", afirma ela.

Tirando férias espontâneas do meio acadêmico, Monika foi morar seis meses em Sumatra, de onde voltou com um livro de poesias. Depois, entrou para o mercado de legendagem.